Quem paga quase meio milhão de reais por 3 gramas de veneno?

Quem paga quase meio milhão de reais por 3 gramas de veneno?

Escorpião amarelo
Escorpião amarelo

A biodiversidade é a exuberância da vida na Terra – num ciclo aparentemente interminável de vida, morte e transformação. Seu valor é incalculável. Mas para se ter uma ideia da sua riqueza no planeta, estima-se que os serviços ambientais para a indústria de biotecnologia e de atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais – movimentem 33 trilhões de dólares anuais, representando quase o dobro do PIB mundial. No Brasil, os produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras.

O Brasil com suas proporções continentais e climas variados tem em seus 8,5 milhões km² distintos biomas. Sua enorme riqueza da flora e da fauna brasileiras é devido a isso. O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Sua abundante variedade de vida – que se traduz em mais de 20% do número total de espécies da Terra – eleva o Brasil ao posto de principal nação entre os 17 países de maior biodiversidade.

O que pouca gente sabe é que nosso país protege muito mal sua rica biodiversidade e que muita gente faz uso dela legal ou ilegalmente.

Cobras viram bom negócio

Jararaca
Jararaca

O biólogo alemão Stefan Tutzer, radicado no Brasil há nove anos, tem um negócio nada convencional: ele processa e vende o veneno de serpentes nos mercados externo e interno. Ele exporta veneno de cobra para empresas como a Bayer e a Hoechst na Alemanha e na Suíça. No Brasil, além de universidades e institutos de pesquisa, seu maior cliente é um laboratório homeopático de Campinas, no interior paulista, que pesquisa a produção de remédio para câncer.

Urutu
Urutu

Tutzer criou há três anos o Instituto Eva, em Paulínia (120 km ao noroeste de São Paulo), numa área de 5 mil m2, onde desenvolve pesquisas e trabalhos de educação ambiental, além de preservar espécies ameaçadas de extinção, como a surucucu, e extrai veneno de um plantel de 150 cobras. Especializado em herpetologia (ciência que estuda os répteis), Tutzer trabalhou na Tailândia e na África, mas escolheu o Brasil por causa do grande número de espécies peçonhentas existentes no país (mais de 40, segundo o Instituto Butantan). Diferente do Butantan, que faz a extração do veneno apenas para pesquisas e para a produção de soro antiofídico (contra picadas de serpentes venenosas), Tutzer processa e vende o veneno para produção de medicamentos, que são fabricados no exterior.

Veneno caro

Utilizados pela indústria farmacêutica para a produção de medicamentos, como anticoagulantes, cicatrizantes e cola cirúrgica, os cristais de veneno custam caro no mercado internacional. Para se ter uma ideia fizemos uma simulação no site de uma grande multinacional:

Simulação de Compra - Veneno Caro
Simulação de Compra
  • 1g de veneno da Jararaca custa R$ 14.980,00
  • 100 mg de veneno da Urutu custam R$ 5.451,00 ou R$ 54.510,00
  • 10 mg de veneno de escorpião amarelo custam R$ 3.552,00 ou R$ 355.200,00

A compra de 3g desses venenos, um grama de cada, custaria quase meio milhão de reais, mais exatamente R$ 429.690,00, segundo a simulação no site da empresa Sigmund-Aldrich, empresa americana de componentes químicos e técnicas de laboratório. Essa empresa foi comprada por US$ 17 bilhões pela multinacional Merck, que também é dona da Montsanto.

Ou seja, o nosso país cuida mal da sua biodiversidade e parece não enxergar o alto valor de sua riqueza e nem a protege direito.

 

 

*Foto de Capa: Instituto Butantan – Britannica School

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